Dayana Façanha se debruça sobre O tronco do Ipe (1871), romance de Jose de Alencar ambientado numa fazenda escravista do Vale do ParaIba e escrito durante os debates que antecederam a Lei do Ventre Livre. Seguindo o preceito de Sidney Chalhoub e Carlo Ginzburg de que a literatura, “entranhada de historiaâ€, e “testemunho†de seu tempo, a autora esmiuça, com maestria, nio so o texto desta e de outras obras de ficçio de Alencar da mesma conjuntura, mas tambem discursos parlamentares e escritos jornalisticos dele e de seus contemporâneos. Deputado do Partido Conservador na Câmara nacional, Alencar se opunha i lei de 1871. Negando ser escravocrata, ele defendia a extinçio (paulatina) do cativeiro, porem por alforrias na esfera particular, que nio iriam adiantar-se i evoluçio da“educaçio†e dos “costumes†do PaIs. O tronco do ipe, coerente com essa postura, apresenta as relações entre senhores e escravizados como harmoniosas, regidas por valores paternalistas. Dentro desta visio senhorial, no entanto, os cativos do romance, inclusive os africanos (notadamente o Pai Benedito, “feiticeiro bomâ€, fisica e moralmente belo), sio retratados como “tutelandos†passIveis de uma integraçio positiva i sociedade livre. Contrastam muito aos escravos barbaros, irredimIveis, que povoam alguns livros e relatos jornalisticos de impacto do perIodo, inclusive de abolicionistas. - Robert W. Slenes/UNICAMP.
Autor: FACANHA DAYANA
Editora: ALAMEDA CASA EDITORIAL
Idioma: Português
ISBN: 9788579395116
Páginas: 272
Encadernação: Brochadura
Edição: 01ED/17