Bernardo Kucinski afirma ser mais contista que romancista. Argumenta que K., seu primeiro livro, foi concebido como um ajuntamento de contos, nio exatamente como um romance.Nio se pode, entretanto, dizer o mesmo para O congresso dos desaparecidos, de 2023, para mim sua obra-prima ate o momento, ja traduzido para o ingles e para o arabe. Nele, o romance deriva de uma concepçio teatral que encontra na Catedral da Se um grande palco onde as vItimas da ditadura se encontram para defender um programa de emancipaçio que envolve passado, presente (o nosso) e futuro.A verdade e Kucinski nio respeita muito os generos. Seu traquejo de jornalista o faz dominar discursos diversos e adequa-los a cada historia. Kucisnki ja navegou pelo conto em A cicatriz e outras historias, pelo livro infantil O curumim que enxergava no escuro, o romance Julia – nos campos conflagrados do Senhor, a distopia A Nova Ordem (e sua sequencia, O colapso da Nova Ordem), alem do citado drama em prosa O congresso dos desaparecidos. Cada livro traz uma marca propria, que, ao mesmo tempo, nio deixa de fazer nunca jus i assinatura do autor, com seu olhar politico realista e profundo mesmo para as coisas do dia a dia.O conto que da tItulo a este livro e um excelente exemplo: expressa um tempo terrivelmente autodestrutivo. E mais nio digo, porque a surpresa bem desenhada e uma das forças da prosa de Kucinski.Haroldo Ceravolo Sereza
Autor: KUCINSKI B
Editora: ALAMEDA CASA EDITORIAL
Idioma: Português
ISBN: 9786559663835
Páginas: 176
Encadernação: Brochadura
Edição: 01ED/25